Este blog não foi criado para quem já fechou as persianas de sua mente e cuidadosamente as fixou para que nenhum filete de luz de novas idéias penetre e perturbe sua sonolenta e estagnante zona de conforto. Este blog é para os poucos que querem entrar na terra firme da experiência direta por não verem outro caminho mais seguro a tomar.

26 abril 2012

A justiça não é cega


Num ritmo diferenciado dos demais dias, ele adentrou na padaria, vestindo uma engomada camisa social, uma vincada calça de linho e sapatos impecavelmente lustrados. Como de costume, me cumprimentou com aquele social "bom dia", o qual retribui, seguido da pergunta:

— Onde vai logo cedo com tamanha elegância? Fazer exames?

— Antes fosse; hoje tenho que prestar depoimento diante do juiz. Vamos em quatro: eu, um delegado e mais dois amigos, também policiais. Tenho que ir assim vestido por causa desse juiz, já conheço o figura. Com ele, preso tem que ir vestido com roupa de preso e, se você for de qualquer jeito, ele nem te deixa entrar na sala de audiência, não te escuta. O figura é casca grossa!

Uma vez dito isto, cumprimentou os demais colegas da padaria e se posicionou como sempre, diante da mesma, com seu olhar silenciosamente observador. 

Enquanto me deliciava com mais um gole de café expresso, questionei com meus botões:

— Que raio de justiça é essa que, para sermos ouvidos, nos rouba o direito da liberdade de nosso cotidiano modo de ser?

Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com

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Escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU! JUNTE-SE À NÓS!