- Quem você realmente ama?
- Para quem você vive?
- Com quem você realmente se preocupa de forma incondicionada?
- Para quem e para que você acordou hoje?
- Além dos seus interesses auto-centrados, para quem você vive?
Este blog não foi criado para quem já fechou as persianas de sua mente e cuidadosamente as fixou para que nenhum filete de luz de novas idéias penetre e perturbe sua sonolenta e estagnante zona de conforto. Este blog é para os poucos que querem entrar na terra firme da experiência direta por não verem outro caminho mais seguro a tomar.
02 maio 2012
Perguntas que não se calam
Sobre a busca do viver correto
Quanto mais em silêncio, em meu dia a dia, escuto as pessoas ao meu redor, mais confirmo a triste percepção de que fomos educados para rir de nossa própria ignorância e para celebrarmos em nossos curtos finais de semana, em nossas celas bem decoradas, nosso cultuado estado de servidão escravagista, a qual impede a percepção da triste e estagnante realidade em que estamos inseridos. Fomos educados para não pensar, para não observar, para não questionar, para em nada meditar, para não demonstrar nosso descontentamento; ao contrário, fomos educados para as mais variadas manifestações de crença no inconsciente ajustamento servil, onde uma delas é traduzida na possibilidade do desfrute da vida, num futuro distante, o qual chamamos de "aposentadoria"; não poderia ser mais adequado o nome desta crença ilusória, uma vez que, devido o desgaste de nossos letárgicos corpos e o embotamento de nossas mentes, a pouca energia que nos resta é usada para circular em nossos lustrados e solitários aposentos, distraindo o incerto tempo que nos resta com o frenético aperto das teclas da nossa coleção de controles remotos ou com as curtas e superficiais falas colecionadas através de nossos contatos nas digitais redes sociais ou pelas fofocas mundiais estampadas em coloridos jornais.
Não fomos educados para buscar pelo viver correto, ao contrário, fomos educados para acreditar que o viver correto é o mesmo que sobreviver. Estranhamente aceitamos abdicar da meditação em nossos aposentos, quanto a nossa real vocação, quanto ao nosso real lugar neste mundo, para, no caso dos homens, dedicar 35 anos de carteira assinada num enfadonho local de trabalho qualquer, ou esperar pela idade de 65 anos para, em meio de lamurioso desânimo, dividir nosso tempo entre os nossos aposentos e os frios e abarrotados aposentos de um hospital qualquer. Tudo isso é devidamente disfarçado, ao longo dos anos, pelo marketing ilusório referente ao nosso ilusório poder de consumo, o qual, na imperceptível realidade, para podermos consumir, nos consumimos. E assim, como sonâmbulos agentes mantenedores deste vampiresco sistema, vamos colecionando descartáveis e corrosivas propriedades, sem a menor preocupação de, em si mesmos, buscar pelo desenvolvimento de atemporais propriedades. Fomos educados para trocar o certo pelo incerto, o Real pelo irreal, o atemporal pelo temporal. Fomos educados para empurrar a vida com o suor de nossos corpos e não para a possibilidade de alegremente desfrutá-la com a totalidade de nosso ser.
Fomos educados para colecionar inconfessáveis conflitos, para disfarçar asfixiantes mentiras e para ocultar, tanto dos outros como de nós mesmos, nossos tormentosos segredos emocionais, gerados pela recusa da escuta de nossos intrinsícos sentimentos. Fomos educados para a especulação, para aparentar conhecer um pouco de tudo o que, em última análise, para os poucos sensíveis, acaba se mostrando como um supérfluo muito de nada. Fomos educados para ansiar pelo mesmo modo de vida da burguesia e realeza, com seus dias de príncipe e de princesa e nunca para a meditação direcionada para responsabilidade social visando a melhoria da grande e explorada massa de esquecidos necessitados. Com o estímulo de nossos conformados e bem ajustados familiares, de forma totalmente irresponsável, aceitamos a responsabilidade de compactuar e, o pior de tudo, de perpetuar para os nossos entes mais próximos, o corruptível vírus do modelo social consumista, que diariamente à todos suga, encaminhando-os para um falido sistema de saúde onde, quase sempre, o reflexo da constante e silenciosa ausência de bem-estar, por despreparados médicos residentes, rapidamente é diagnosticado com o rótulo de "virose". E assim, num doloroso processo de deterioração, a grande maioria atravessa de forma inconsciente a escola da existência, para nos últimos dias letivos, perceberem-se reprovados por serem totalmente analfabetos de si mesmos.
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
26 abril 2012
A justiça não é cega
Num ritmo diferenciado dos demais dias, ele adentrou na padaria, vestindo uma engomada camisa social, uma vincada calça de linho e sapatos impecavelmente lustrados. Como de costume, me cumprimentou com aquele social "bom dia", o qual retribui, seguido da pergunta:
— Onde vai logo cedo com tamanha elegância? Fazer exames?
— Antes fosse; hoje tenho que prestar depoimento diante do juiz. Vamos em quatro: eu, um delegado e mais dois amigos, também policiais. Tenho que ir assim vestido por causa desse juiz, já conheço o figura. Com ele, preso tem que ir vestido com roupa de preso e, se você for de qualquer jeito, ele nem te deixa entrar na sala de audiência, não te escuta. O figura é casca grossa!
Uma vez dito isto, cumprimentou os demais colegas da padaria e se posicionou como sempre, diante da mesma, com seu olhar silenciosamente observador.
Enquanto me deliciava com mais um gole de café expresso, questionei com meus botões:
— Que raio de justiça é essa que, para sermos ouvidos, nos rouba o direito da liberdade de nosso cotidiano modo de ser?
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
Um pergunta essencial
Quanto mais observo a acelerada, superficial, mecânica e logisticamente automatizada vida das pessoas, mais me dou conta do quão pouco me é necessário para, de forma positiva, responder a essencial pergunta: sem isso tudo, sou feliz?
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
25 abril 2012
Security Essentials
A meditação é o antivírus do espírito,
um firewall contra condicionamentos.
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
24 abril 2012
Educação ainda que tardia
Nossa educação sofreu e parece ainda sofrer de uma enorme inversão de valores, os quais ainda não foram devidamente estudados pela ciência. Somos educados para a busca do alcance do estado mais elevado de padrão social e não para a busca do mais elevado estado de consciência, capaz de esclarecer um processo de descontinuidade do herdado caos formado pela ambição geradora da enorme desigualdade social. Somos educados para dedicar nossa vida à uma alienante especialização, desde que lucrativa, e não ao pleno desenvolvimento de todos os nossos canais de sensação e percepção de mundo. Em resultado disso, todo homem alienado é um co-responsável pelo presente, complexo e intrincado caos social, este resultante da supressão sistêmica de seus sentidos mais intrinsícos que apontam para a manifestação de uma consciência amorosa, dotada de uma genuína responsabilidade social. Sair do controlado e egocentrado estado de consciência, socialmente culturado, significa ter a ousadia de lutar pelo resgate do abortado processo de desenvolvimento da inteligência humana e, através desse resgate, ser mais um conspirador pelo alastramento dessa inteligência no absurdo, gritante e desnivelado terreno social.
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
Sobre a revolução radical
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No café da manhã, o homem parece estar mais preocupado em discutir uma revolução radical no ritmo do time de seu coração, do que na revolução saneadora da disritmia de seu coração sem coração.
Nelson Jonas - nj.ro@hotmail.com
23 abril 2012
Solve et Coagula
Não é um trabalho de um artista dar ao público o que o público quer. Se o público soubesse o que quer, eles não seriam o público, e sim seriam o artista. É o trabalho de um artista dar ao público o que ele necessita. – Alan Moore
Primeiro Ato
Chega!
Mil vezes um varredor de rua feliz, do que um normótico de sucesso... Mil vezes um rebelde insatisfeito do que um morno satisfeito; um Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito.
Recuso-me de vez à padronização cultural que me força a este estado de constante mediocridade.
Sim! Estou ciente de que não é fácil ser do grupo diferente e arriscado demais resistir ao ambiente...
Mesmo assim... Serei persistente!
Não quero com o avançar da idade, ter num corpo decadente, coração e mente dormentes, na poltrona retraído, distraindo-me com o débil movimento frenético de um controle remoto.
Chega!
Não dá mais para disfarçar este constante medo da vida, este medo da luta e das experiências novas, que aos poucos me rouba o espírito de aventura e o frescor da novidade.
Quero de vez me sentir livre do medo de ser e pensar diferente, ainda que em total desacordo com o padrão socialmente vigente.
Na verdade, farto estou desse falso respeito à arcaica e disfuncional tradição e autoridade...
Quero bradar por todos os cantos deste imenso palco da vida, a beleza deste espírito de descontentamento e de revolta, que agora, me toma por completo...
E não me venha com tuas frases prontas ou com teus arcaicos sistemas de crença organizada, pois os mesmos... Não conseguem mais me iludir... Tudo isso pode ser muito eficaz para distrair um infeliz iludido, mas não a um feliz insatisfeito consciente.
E tem mais: recuso terminantemente essa ilusória felicidade de segunda mão; quero descobrir algo original, pois até aqui, no que diz respeito à verdadeira felicidade, nada do que me foi dito teve valor.
Cansei de acreditar em políticos, governos e em sistemas de crença organizada, a qual erroneamente, muitos chamam de religião. Nenhuma destas instituições me quer psicologicamente autônomo e auto-suficiente: sei que isso me tornaria um problema para eles.
Mesmo assim: quero deixar de ser ajustado, mecânico e desprovido de surtos criadores.
Já não há mais como aceitar, como a grande maioria, sem a mínima reflexão, aos poucos me consumir consumindo as idiotices criadas por um idiota qualquer.
Pois bem: não sei onde, não sei quando e muito menos quem, disse que ousar é o preço do sucesso... Então, aqui expresso: ouso pelo Supremo, ouso pela Excelência de Ser, pois farto estou desse público e estagnante vicio pelo óbvio!
E não me olhe com teus olhos travados de ideologias, pois quero ser livre de toda influência... Já não tens como me reformar.
E o que será de mim? Não demoro a te responder: serei um desajustado, um nada, um anônimo, um ser livre da doentia expressão da vontade coletiva, secularmente imposta por uma minoria desconhecida...
O que será de mim?... Digo já: serei um imoral diante de teus olhos condicionados. Tudo bem! Não faz mal! Não me importa!
E pode ficar com teus usos, costumes, templos e livros sagrados, pois nada disso me serviu para viver a vida em toda a sua plenitude; muito ao contrário, me mantiveram por anos e anos apenas existindo feito um humanóide...
Sim um humanóide... Um escravo livre, preso na falsa segurança de uma carteira de trabalho assinada e na possibilidade de consumir em suaves prestações, numa importada loja de departamento qualquer...
Chega!
Nunca mais negarei minha liberdade de expressão, minha originalidade em nome das migalhas da aceitação parental e social...
A partir de agora, de todas as minhas células expurgo os tóxicos e familiares "você tem que" - os quais durante anos me mantiveram preso num ciclo vicioso de medo, culpa e vergonha e que por pouco não fragmentaram por completo meu canal com a Suprema Criatividade.
Chega, pois a partir de agora, Eu decido: serei um artista, um ator, um cantor, um poeta, um dançarino!
O que?... Achas que estou ficando louco?... Ora, ora! Que beleza!... Levam-se anos para chegar nesta santa loucura que a tudo cura.
Portanto, chegue mais perto e olhe... Olhe bem fundo em meus olhos – se é que consegues não desviar os teus dos meus - e veja o que agora ocorre: o velho homem está em seu leito de morte... E não ouse tentar ressuscitá-lo! Deixe que morra!...
Deixe que morra, feito que a morte do antigo é o nascimento do novo!...
Como sei que a estúpida maioria abomina a tristeza e vive a fugir da dor, ainda que doloroso, digo: deixe-me aqui insatisfeito, descontente... Porque debaixo da superfície prospera de minha vida passada, só rotina, frustração, ansiedade, desespero e ilusão eu experimentava.
Portanto, é com seriedade que imploro: deixe que o velho morra!...
Deixe-me ser por livre e espontânea vontade um ser humano dolorosamente sensível...
Chega!
Cansei de fazer parte da enorme massa de manobra sobre a qual, os poucos espertos inconscientemente prosperam materialmente num compasso espiritual decadente. Deixe-me só...
(fim do primeiro ato)
..................................
Segundo Ato
Sim!...
Programado...
Não passo de um computador ambulante. Um ser biológica, física, mental e intelectualmente programado...
É triste constatar, mas, desde criança, programado para ser funcional... FUNCIONAL!...
Para ser um especialista, para ter uma vida em compartimentos, dos quais boa parte deve ficar sempre hermeticamente fechada numa vida de fachada... Um especialista, um mísero ser limitado numa limitada área...
Não passo de uma diabólica e formidável propaganda religiosa, política e cultural, um ser humano de segunda-mão que a tudo aceitou sem a mínima indagação.
Pudera, tanto em casa como na escola sempre proibido me era qualquer tipo de indagação...
É assim e pronto!... Cala a boca e vai pro quarto!... E se falar mais, apanha!... Quer ir para a Diretoria?...
Veja só: um descartável processador de informações de terceiros movido por mouses sem fios... Como não vês: isso é ótico!
Diga-me logo: que fizeram da minha originalidade? Onde está a minha autenticidade? Por que me conformei a repetir crenças feito cativo papagaio sobre o olhar de seu senhor?
Agora vejo que essa programação que "funcionou" por muitos anos, por pouco não me desintegrou. E agora? Como formatar de vez esta HD cerebral? Como liberar a pesada carga que mais que temporariamente mantenho em minha memória? Como ser novamente um indivíduo?...
Sinto medo...
Só de pensar em me abster de tudo que venho tendo como certo há tantos anos...
Meu corpo já começa a dar sinais...
Devo estar ficando louco...
Isso não pode ser real!...
Mas como negar de forma consciente, isso que nas entranhas sinto visceralmente?...
Não!... Nada disso tem a ver com o ser que nasci para ser.
O pior é essa mente que não silencia, com esse acumulo de palavras, esse monólogo de incessante agressividade...
Palavras, palavras e mais palavras... Sou um enorme arquivo de palavras de terceiros que nunca silencia...
Não vês que elas são parte de processos egocêntricos a serviço de interesses egoístas que precisam urgentemente ser colocadas de lado? Consciente que uma mente repleta de palavras não passa de uma mente vulgar e estúpida, digo já: preciso de silêncio... No entanto, onde encontrá-lo?... Como consegui-lo?...
Como posso aspirar pela Suprema Criatividade, pela Excelência de ser, se feito um ser programado, caminho com uma mente amontoada de símbolos?...
Chega! Não há mais como viver de símbolos, pois os mesmos nunca me fizeram alcançar o simbolizado! O símbolo é algo morto, como um enorme e pesado elefante morto no meio da sala, um enorme empecilho.
Preciso da Verdade, pois tudo isto fede... No entanto, como encontrá-la?...
Chega!
Digo adeus às palavras, símbolos e frases de impacto, pois de nada me servem! Quero sentir-me livre! Livre!...
Palavras, palavras e mais palavras!... No tempo em que eu acreditava em palavras era como outros tantos que falam demais por não ter nada a dizer...
Mas agora, nego-as de vez, pois isso que sinto necessitar pressinto não poder ser descrito em palavras...
Só o que não mais necessito pode ser descrito em palavras. Não percebes a inutilidade de tentar expressar esta coisa verbalmente? Não vês que o fato de que as palavras por mais acuradas e precisas, não tem o poder de transmitir a Realidade?
E não te ofendas, mas, de agora em diante, nego todas as receitas que chamam espiritualidade e que na verdade para mim não passam de uma forma doentia de negar a experiência da completude do Ser. Preciso daquilo que está além das receitas e palavras...
Portanto, chega das palavras de terceiros! Não mais!...
Afinal, não deve um homem sujeito a tamanho sofrimento saltar para fora do seu mundo, em vez de procurar valer-se das histórias de quem "talvez" um dia se achou livre de tamanha angústia?
Decido de vez romper com esse emaranhado de palavras e viver de acordo com a fala mansa e suave que quando em silêncio ouço brotar de meu coração.
Pode te parecer loucura, mas sinto que essa é a única esperança de futuro que me resta... Os demais caminhos, já sei onde vão dar, já estive lá mil vezes antes!
Assim sendo, Deixe-me só...
Não há mais como me contentar com a transitoriedade das paixões, a insuficiência das atividades mercantilistas e triviais e a incerteza da afeição humana...
Preciso de silencio... O silêncio profundo do espírito, onde toda palavra se cala e o Supremo se conhece....
Claro está para mim, que somente uma silenciosa mente inocente, é capaz de absorver o Inimaginável.
(fim do segundo ato)
................................
Terceiro Ato
Espelho, espelho meu:... Será que algum dia já vivi?
Será que faz sentido a vida humana e as atividades sociais terem como único objetivo a conquista da expansão material?
Será que devo me conformar a isso e permitir que tal expansão seja promovida em detrimento da minha integridade espiritual?
Não sei!...
Para onde quer que eu olhe só vejo o culto ao sucesso. Não é a toa que o medo do fracasso seja o maior fantasma que trago há anos em meus sonhos. E poderia ser diferente?
Claro que não!...
Toda minha educação me instruiu à adoração do êxito aquisitivo. Sempre me induziu ao consumismo irrefletido, desde os tempos de menino com Carrinhos de Ferro e o Forte Apache, depois os tênis de borracha com algumas poucas listrinhas e as calças com etiquetas coloridas que custavam os olhos da cara... Acho que começou tudo ali! E ainda vejo o quanto que tantos se consomem por um carrinho de ferro, erroneamente chamado de popular...
Mas se o sucesso é a verdade, por que tantos, apesar da riqueza, da educação e do sucesso profissional que alcançaram, estão tão insatisfeitos com suas vidas?...
Por que essa profunda fome interior que não sabem como saciar pelos corredores dos novos templos chamados de Shopping Centers?...
Ah!... Se ao menos um desses grandes "mortos de sucesso", pudesse voltar para falar através das letras de suas músicas, sobre a crônica incompletude do ser que existindo, sem vida, experimentava...
E, em solidão, são tantos os questionamentos que surgem, quando pelas ruas caminho observando o mundo que se apresenta lá fora...
São nesses momentos, que sempre me surgem os bons questionamentos...
Onde está a simplicidade?
Por que é sempre tão difícil manter-se vivo de forma simples e clara?...
Será que as pessoas de sucesso estão preocupadas com a construção de um mundo melhor?...
Será que isso que chamam de amor é realmente Amor?
Não sei!...
Será que o objetivo da vida é o momentâneo sucesso exterior ou seria o permanente desabrochar do espírito que nos torna realmente humanos?...
O que realmente vale a pena perseguir?... Ter uma mente de valor que ultrapassa as barreiras do espaço/tempo, para além de sete gerações, ou ser uma fragmentada pessoa de sucesso momentâneo?...
Quais as conseqüências de ambas as opções?
Não!...
Decido já: o sucesso não me interessa!
Ele pode ser útil para os macacos do circo, mas não a mim...
O que quero mesmo é saber se é possível ou não viver aqui e agora sem essa doentia, separatista e destruidora ambição, apenas sendo o que nasci para ser.
Quero saber se é possível ser intensamente feliz... Sim! Intensamente feliz, vivendo anonimamente neste mundo, como um completo desconhecido, sem ser famoso, ambicioso e cruel.
E para saber.... Sigo pela estrada menos percorrida, uma vez que o mundo inteiro adora o êxito!...
Deixo de lado a mundanidade e, separado da massa, desse turbilhão inconsciente, sigo ao encontro de mim mesmo.
E resoluto, diante de teus olhos, declaro aqui e agora: serei um artista de verdade...
O que? Não sabes o que é um artista de verdade?
Digo-lhe já, citando-lhe feito um poeta da vida:
O artista é aquele que escolheu como profissão e estilo de vida, o estar em contato constante com sua bem-aventurança. Por isso, aconteça o que acontecer, siga a sua bem-aventurança, e não deixe que ninguém o desvie dela. Há uma voz dentro de nós que diz sempre se estamos na direção certa ou fora dela. E se abandonarmos essa direção para ganhar dinheiro... Perdestes
tua vida... Se estiveres no centro e não conseguires dinheiro.... Ainda terás a tua bem-aventurança...
O que?... Não murmures! Fale mais alto... Queres saber o que sinto ser sucesso?...
Pois bem, sem retrocesso , digo-lhe já e ainda em tom poético:
Sucesso é a compreensão e a dissolução dessa incompletude e sofrimento que não me deixam um só momento...
..............................................
Senhores:
apesar de ainda poder ouvir ecos do constante monólogo de muitas mentes, chegamos ao final do monólogo presente!...
Por favor, por favor... Suplico: nada de palmas!
Acenando digo: tudo bem!... Se assim persistem...
Façam-no com uma só mão!
.................................................
PS - Não me é possível precisar até onde vai a minha paternidade literária nesta obra, pois muito do seu conteúdo, é uma mescla das idéias de tantos espiritualistas que fizeram eco, em meu interior, entre eles, Paul Brunton, Osho, Krishnamurti, Joseph Campebell, Tartang Tulku, Alan Moore e outros. De certa forma, acredito que todos os nossos pensamentos são também alheios, pois fazemos parte de uma imensa Rede Universal de idéias, sentimentos e, também, condicionamentos. Uma Rede é uma Rede, mesmo que seja vista em momentos e por ângulos diferentes. Sou uma parte desta Rede de idéias, esta Rede, que para mim, nos mantém distanciados do Imensurável. Acredito que juntos, compomos esta rede. Sobre orgulho ferido
O que nos faz acreditar em falsas promessas?
Nossa incapacidade de percepção do real.
Culpar o outro por nossa limitação
é ausência de humildade, é orgulho ferido,
e este, sempre busca por um bode expiatório.
e este, sempre busca por um bode expiatório.
Nelson Jonas
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Escolho meus amigos pela pupila
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
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Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde






