Este blog não foi criado para quem já fechou as persianas de sua mente e cuidadosamente as fixou para que nenhum filete de luz de novas idéias penetre e perturbe sua sonolenta e estagnante zona de conforto. Este blog é para os poucos que querem entrar na terra firme da experiência direta por não verem outro caminho mais seguro a tomar.

14 outubro 2011

No ajustamento não há relação real


Conversa entre Nelson, Marcos e Nabil via MSN em 13/10/2011

MG: O intelecto, ele é um instrumento extraordinário, mas ele tem que estar no lugar certo e ele não está no lugar certo. No homem, na mente condicionada, dentro do seu processo psicológico de movimento comum, essa auto-identificação, que a consciência faz com a própria mente, o intelecto não está a serviço da própria consciência, está a serviço dessa atividade egocêntrica, dessa atividade centrada, nessa pseudo-identidade ai. 

NJ: Então, esse intelecto com todo esse acervo de conhecimento impede qualquer tipo de comunicação real; não há comunicação. Inclusive, o que eu constatei é que mesmo, só dá para ter uma real comunicação quando é coração para coração.

MG: Isso só é possível assim: você falou e eu acabei de te ouvir. Mas, se você fala e eu já tenho engatilhado o meu ponto de vista, minha posição, eu não te escuto, eu tento impor a minha colocação.

NJ: Sim.

MG: Eu tento impor a minha colocação sobre a sua e isso é violência. 

NJ: Sim.

MG: Isso é não escutar. 

NJ: Então, o interessante é assim: uma das coisas que eu percebi que, aparentemente, quando duas mentes se encontram, elas se escutam. Mas, na realidade, não há escuta, há uma negociação temporária, enquanto aquilo satisfaz alguma zona de conforto da pessoa. 

MG: Sabe como a gente poderia chamar a isso? Ajustamento. 

NJ: Sim.

MG: É só um ajustamento. Não há realmente uma comunhão. Comunicação é comunhão e não há comunhão. É só ajustamento. 

NJ: E, inevitavelmente, todos esses ajustamentos terminam em separação, em conflito, em confronto. Num determinado momento em que, o que está ajustado não se ajusta...

MG: Exatamente!

NJ: ...Há conflito! É muito interessante isso!

MG: O eu, tem esse sentido separatista, esse sentido do eu é separatista, ele por natureza, ele é isolacionista, ele isola tudo. Ele se auto-isola e isola todo mundo. Ele se auto-centra, ele é auto-centrado. Então, ele não tem interesse no outro, o interesse é nele próprio. Ele é violento. 

NJ: Ele só não isola quando tem algum interesse, em volta daquele que ele está colocando ao lado. 

MG: Mas isso não põe fim ao isolamento: isso cria o ajustamento. 

NJ: Só ajustamento! Que é tenso! É sempre tenso porque está sempre conferindo se vai cumprir ou não aquilo que está ajustado. 

MG: Defesa! O processo de defesa está presente! Ai o processo de defesa está presente!

NJ: Não tem comungar, nem conspirar!

MG: Não, porque é uma defesa, Nelson! Esse estado, ele tem sempre algo a perder, então, há sempre essa questão de defesa ou ataque, no sentido de manter o território. E aí é ação isolacionista mesmo, uma ação isolacionista.

NJ: E então, se tem isso, como que o indivíduo, o ser humano, ele vai ter condições de abertura e receptividade ao que vem do coração? Ao que vem do Ser? Que não está no nível da mente? Que está no nível do coração?

MG: Exatamente! É por isso que eu falo ali na fala, eu sei que alguém que vai ler aquilo ali, vai achar a gente louco. Eu digo: não é razoável, não é lógico!... O cara diz: Esse cara é doido? Como é que pode dizer uma coisa que ele mesmo está dizendo que não é razoável? Mas esse é o ponto, entendeu? O cara está ouvindo eu falar que não é razoável o que eu estou dizendo, e ai o cara diz: como é que eu vou ouvir um cara que ele mesmo está dizendo que não é algo razoável? Então, o cara é um maluco? É que não é razoável porque não está dentro da razão, está dentro desse ponto ai que você acabou de colocar. Ele não está vendo que aquilo não pode ser ajustado. 

NJ: Exatamente! Tem que se abrir a algo que é transcendente ao intelecto, ao intelecto e a mente, a algo que transcende esse limite.  Por isso que eles dão o nome por ai de "Transcendência"... Porque transpassa a ciência, o conhecimento limitado. 

MG: Esse estado de ser, Nelson, ele engloba, esse estado de ser ele toca o cérebro, mas ele é "extra-cerebral"... Ele não depende do cérebro! O cérebro é só um mecanismo, um mecanismo humano e, a Consciência, transcende, a Consciência não está limitada ao cérebro. 

NJ: O cérebro e o intelecto é só uma antena, mas ele quer ser o "sinal", ele quer ser a "fonte do sinal!"...

MG: Isso ai! Exatamente! Exatamente! 

NJ: Dai que sai todo esse chiado ai! Esse monte de chiado é porque o intelecto, a mente quer ser a "Fonte" e não só o receptor, a antena. 

MG: Mas quem diz isso é o próprio pensamento que diz isso! É o próprio pensamento que diz isso! Entendeu? É o próprio pensamento que na verdade, está sempre limitado a essa dimensão conhecida do cérebro, que diz: "Você é o senhor aqui!". apontando para o cérebro... Apontando para essa lógica, essa dialética cerebral, para esse processo razoável que o cérebro conhece ai. 

NJ: E você vê que loucura, né? Você comenta isso, eu tenho comentado isso, e as pessoas não conseguem, o ser humano não consegue entender que nós não estamos apontando como um ataque ao intelecto, à mente, ao movimento cerebral... Nada disso! 

MG: Não! Porque ele é importante, ele tem o lugar dele!

NJ: Sim, lógico!

MG: Ele tem o lugar dele, entendeu? Como seres humanos, é com os seres humanos que o despertar acontece... Entendeu? O despertar não acontece para uma flor!... Acontece para o ser humano. Então, o ser humano tem o cérebro e todo esse equipamento ai que nós temos, tem o seu lugar, entendeu? Tem o seu lugar perfeito ai. Ele é perfeitamente capaz e hábil de ter essa vivência. Só que essa vivência é "extra-cerebral"...

NJ: Sim, estou acompanhando! 

MG: Então, a gente está diante de uma vivência extra-cerebral mas que não tem nada escondido ai... O cérebro está incluído, o corpo está incluído, entendeu?... Toda a capacidade e faculdade intelectual, tudo aquilo, está tudo incluso, está tudo incluído, não tem nada fora do lugar ai, nada fora do lugar. Agora,  soa, para o próprio intelecto isso, de uma forma fora do seu contexto, então, ele atribui, ele coloca isso como algo que o ataca, ou então, exatamente, e diz que é místico, entendeu? Que não atrai, que é algo que é místico, que é algo é... Enfim, é tudo ai, é isso ai! Eu tenho muito o que dizer, entendeu, sobre isso ai, não. Isso é mais aquela coisa de vivenciar diretamente... Vivenciar diretamente e pronto!... Dá aquele "click" e acabou! Não tem mais perguntas e respostas a respeito disso, dúvidas, não é nada místico, não é nada extra-humano, embora seja extra-cerebral, não está fora daquilo que pode ser a experiência, está dentro de uma experiência humana, sim, claro que sim! Não é uma experiência para uma flor, para um pássaro, é uma experiência para o ser humano!

NJ: Sim!

MG: É por isso que eu tenho para mim, Nelson, ai, dentro dessa observação que eu tenho feito, que esse mecanismo precisa ser liberto dessa estrutura. Então, dentro desse trabalho, ele percebendo essa estrutura, comportar essa visão. Entendeu? Então, há uma mudança, inegável, na respiração, entendeu? Em tudo! Vai havendo uma mudança completa nas células cerebrais. Eu tenho para mim que é uma mudança tremenda acontecendo. A gente não precisa ser especialista em coração, como são os especialistas do coração para entender como o coração funciona para ele funcionar em nós. O coração funciona em nós e nós não precisamos intelectualmente saber a respeito disso, não precisamos ser especialistas nisso... Então, assim é essa questão da "realização" neste ser humano. É algo que acontece independente se intelectualmente ele consegue acompanhar ou não, entendeu, em termos de mudanças físicas, químicas, biológicas... Então, o fato é que acontece algo para que haja uma capacitação para que isso que está ai, como potencialidade, se atualize de uma forma real, entendeu? De uma forma real...

NJ: É um "update do Ser"...

MG: É! É um update do Ser!

NJ: É um "update do Ser"...

MG: Isso! É uma atualização, é isso ai!

NJ: É uma "super nova"!

MG: Então, é muito interessante isso, cara! É muito interessante você vivenciar isso, entendeu? A vivência direta disso é a compreensão disso, sem teorias, sem a necessidade de teorizar sobre isso, de defender isso, de mostrar a alguém especial, que você tem isso como algo especial, isso não entra ai, entendeu? Isso é tão real para todos, é que alguns tem consciência e outros não. E o nosso trabalho dentro do Satsang, dentro desse espaço, que é um espaço de uma certa forma nova, porque trata de algo fora do usual, fora do conhecido, essa bela oportunidade de observar isso, entendeu?

NJ: Estou te ouvindo!

MG: Se observar isso, de se observar o que está acontecendo em cada um de nós, dentro desse processo de "certificação", de "constatação" como eu gosto de falar.

NJ: É, eu já gosto "testemunhar"...

MG: É, então, é exatamente isso!

NJ: É um testemunhar porque tem que usar a "testa" também...

(...) Risos...

MG: O legal ai, Nelson, é ver que "você não é o pai da coisa"!

NJ: Sim!

MG: Você só se permite, entendeu? Porque isso é natural em você, isso é inato.

NJ: Então, Marcos, mas veja bem: é o próprio exemplo da antena!... A antena não faz nada, ela fica parada e só recebe...

MG: Exatamente, cara!

NJ: E só isso!... Ela só recebe o "sinal da Fonte"... E ela nem sabe de onde vem a Fonte!... Ela só recebe o sinal!

MG: Também isso, para ela, é irrelevante, também!

NJ: Então!... Então é muito louco isso! Só que meu, a mente quer ser "a Fonte, o sinal, escolher o canal, o volume..." — risos — É muito louco, isso ai cara!

MG: Deixa eu falar uma coisa, acabei de falar contigo isso: o teu coração está batendo, mas tu não entende nada de coração e melhor ainda você não entender porque você não vai pensar ai! Entendeu? Você tem liberdade para ir acontecendo no "time" dele, da forma dele e isso tudo é uma ação natural! Não tem nada de espetacular! Entendeu? Não tem nada de extraordinário nisso, entendeu? É simplesmente o que é!

NJ: É extraordinário sim!... Porque o ordinário é essa identificação ilusória com a mente... Esse é o ordinário! Isso, é realmente "extra-ordinário", porque, não está na ordem...

MG: Nesse sentido é! É extra-ordinário porque está fora do ordinário.

NJ: É porque esse "modozinho" de se identificar com a mente é muito ordinário mesmo!

(...) risos

MG: Nos dois sentidos, não é? No sentido pejorativo e no sentido comum!

NJ: Veja muito bem: esse modo identificado, ilusório com a mente, é muito "terrestre"... Você precisa de um modo "extra-terrestre"... O "extra-terrestre" aqui é no sentido de "ouvir esse coração", não é cara?... E usar essa ferramenta que é a mente, que é o cérebro, que é o intelecto, como uma antena do que essa voz está falando!

MG: O Nelson, ai cara, olha só, ai eu entro com algo que eu acho muito legal a gente entender! Você vai, muitas das vezes eu sinto essa coisa de "voltar ao natural", "voltar ao primal", "voltar à origem"... E a mente, ela é muito entorpecida, ela é muito fechada, entendeu? Ela é muito arrogante! Ela não consegue se abrir nessa dimensão, que é para que o toque desse nível do coração aconteça, porque ela vive nessa arrogância!


NJ: Principalmente quando não sabe sobre o que está sendo falado! A arrogância é o prato primordial nesse momento, é o estado primordial de arrogância e soberba.

MG: É o estado ordinário, não é?

NJ: É, muito ordinário isso por sinal! É muito infantil, inclusive! Você assistindo, quando você assiste isso, você vê: "Nossa! Como é infantil isso!"

MG: É demais não é? É demais!

NJ: É demais mesmo! Olha Marcos, quando eu lembro eu dando porrada com você nos primeiros contatos, eu dou risada sozinho... Porque é muito infantil!... Um ser que está sofrendo, que está em conflito, que não tem paz, que não tem sossego, que vive buscando, que vive vida experiência de terceiros, comendo livro da experiência de terceiros, um atras do outro, virando página, virando página, virando página, não tem nada de seu, nada de próprio, e vem arrotando, não é, arrotando sabedoria de terceiros e querendo bater de frente com quem está vivendo algo original.... Isso, quando eu lembro disso eu dou muita risada, cara! Como é que pode? Você está sofrendo, você não tem paz e quer arrotar tranquilidade de terceiros...

MG: Você é uma grande lição da graça, entendeu? Eu fico feliz por você ter visto tudo isso e ter, entendeu, e ter baixado a guarda, entendeu? Porque você podia estar comigo esses meses ainda cara, e eu não ia descansar de você não, cara, a gente ia ainda continuar a brigar aqui.

NJ: Você sabe o que é interessante? Você falou isso dai e me veio à mente aqueles gladiadores, com aqueles escudos pesados, com elmo, capacete, espada, todo aquele monte de coisa e, de repente, você joga no chão tudo isso cara, e fica levinho, cara! Fica levinho, não precisa aquele monte de peso, cara! Aquela armadura...

MG: Para você ver, Nelson...

NJ: Que limita o passo, que limita o andar, que limita tudo, cara!

MG: Agora quer ver uma coisa? Eu vou te perguntar uma coisa: como é que você vê isso, fora de você ai, como você vê isso nesses contatos que você tem? O que você sente dentro do seu coração, cara? Você não sente...

NJ: Compaixão é a palavra!... Compaixão! Compaixão é a minha palavra hoje!

MG: É isso ai! Você não sente isso? Esse cara está perdido, mas é um cara que pode ver isso, entendeu...

NJ: Há uma tristeza quando percebe que ainda não está no momento, que ainda está batendo demais, ainda vai ter que bater muito a cabeça até chegar a um ponto de rendição... Enquanto a coisa está ali, está fácil... É bem a frase que você me falou naquela vez lá: "Pô, Nelson, está faltando só uma olhadinha um pouquinho pro lado ai, tenha paciência, olhe um pouquinho só pro lado... Está bem ai cara!"

MG: Isso! Exatamente!... Você lembra que eu te falei: "A tua experiência não é diferente da minha"... Você estava colocando a experiência do Marcos numa altura, mas que não existe! É isso que eu estava tentando te falar: isso não existe! A tua experiência não é diferente da minha!

NJ: Existe para o intelecto! Marcos, para o intelecto...

MG: Oi?

NJ: Para o intelecto ele vê isso muito longe...

MG: Como é? repete de novo ai!

NJ: Isso para o intelecto soa muito longe! Muito distante!

MG: Exato!

NJ: E hoje, a gente olha aqui e vê que não tem nada de distante, está ai!

MG: Muito distante! Muito distante!

NJ: Eu tenho um conhecido meu que eu falei que ele está passando por um momento de depressão, eu toquei no peito dele e falei: "Cara, está tudo aqui!"... Você precisava ver a expressão no olhar dele: de espanto!... Não consegue acreditar que está ai, que está acessível! Não consegue acreditar nisso! Que é algo acessível!... Soa como muito longínquo, muito especial... Espera só um pouquinho que está tocando a campainha!... Espere um pouco! Espere que o Nabil chegou aqui!... Puxe a cadeira que você já vai falar com o Marcos...

Nabil: Fala ai, Marcos!

NJ: Espera ai que o Nabil chegou aqui! Continua com o Nabil aqui, espere ai!

MG: Deixa eu ver esse cara ai, rapaz!

Nabil: E ai Marcos? Tudo bom ai?

MG: Você sempre bonito!

Nabil: Que nada!

MG: Está bonito em cara? É bom te ver!

Nabil: aqui é maior estúdio, aqui é um verdadeiro estúdio!

MG: Mas a gente vai providenciar um NET bonita aqui.

NJ: Olha só: nós vamos fazer uma "janta Cósmica" hoje. Só que enquanto a Andrea não chega, vamos botar ele no assunto... Olha só: nós estamos falando sobre a limitação do intelecto e a dificuldade do intelecto cria de escutar o novo, estão bom? Dá p seu parecer para o Marcos, aqui!

Nabil: Porra, agora... O Marcos...

MG: O Nelson, ontem foi o dia das crianças faltou ele, faltou o Tom no satsang...

Nabil: Pois é rapaz! Cheguei tarde ontem. Ontem a namorada trabalhou, teve que sair do trabalho, pegar ela e tudo, e acabei chegando tarde, estava cansadão e eu não vou nem... Eram onze e trinta e oito, onze e quarenta, eu ia entrar para ficar vinte minutos, só para dar um oi... Ah! Não vou fazer esse desprazer para o pessoal!...

MG:  É o Tom também ontem não conseguiu chegar! Eu estava num papo ai com o Nelson ai.

Nabil: É, ele estava falando aqui do intelecto.

MG: O Liban, eu fico só ouvindo esse cara, eu não tenho muito para dizer para ele não, cara!

NJ: Espera ai, Marcos! Vamos colocar ele aqui! Vamos ver o parecer dele aqui! Vamos ver aqui, é importante, até porque eu estou gravando essa fala! Eu não perco nunca!...

Nabil: Eh, rapaz!... Eu estou na berlinda!

NJ: Está na berlinda! A gente está colocando assim: sobre a dificuldade da escuta que o intelecto, que a mente, com todo seus acervo de conhecimento cria e impede uma escuta direta. Se você não consegue ter uma escuta direta, nem do outro ser humano, como é que você pode ouvir a si mesmo, o próprio coração e o próprio movimento da mente? Como é que você vê isso?

Nabil: É, ele está me jogando na fogueira, Marcos!

(...) Risos

NJ: Olha o pensamento está queimando... Está cheirando a carne queimada aqui a cabeça dele!

Nabil: Eu já estou soando frio aqui...

MG: Está saindo até fumaça pelas orelhas dele, ai?

NJ: Está, está aqui, está derretendo os cabelos todos, os pouco de cabelo que ele tem está derretendo!

Nabil: Poxa!

MG: Os cabelos estão derretendo? Está acabando de cair o restante?

(...) Risos

MG: Então, o Nelson estava dizendo, O Nelson estava falando ai, viu Liban, sobre o processo de resistência dele...

Nabil: Sim!

MG: Ele estava falando comigo sobre o processo de resistência dele, que ele entrou querendo bater no Marcos... Eu falei para ele, cara... Eu aprendi com vocês, com ele, esse negócio de "defunto bom"... Ai eu vi que ele é um cara que é um "defunto bom", entendeu?... Eu falei: se esse cara continuar entrando comigo querendo me bater, eu vou continuar com ele ai, e vou ver até quando, até onde ele vai, até onde ele vai com essa tentativa de "me pegar", de "me bater"... Ele vai descobrir que não tem opositor aqui, pô! E fui levando ai!... Eu acabei de falar para ele ai... se tivesse ficado mais três, quatro meses, se tivesse esse tempo todo ai, brigando ainda, na NET, eu estava ainda com ele ai... Ele ia entrar no MSN me batendo e eu ia ficar só na minha, o tempo todo olhando para qual é a dele até ele desistir dessa bobagem... Mas é esse que é o estado comum, não é?

Nabil: É, do ser humano!... A gente, os moldes da sociedade são todos montados em torno disso, não é? A gente vai sair na rua, vai pegar ônibus, vai pegar o metrô, vai chegar no trabalho, seja ele qual for, vai ser atendido por qualquer pessoa e ela está... Vestida com isso! Ela está trajada com essa coisa do intelecto! E, num primeiro contato, o que eu tenho percebido, num primeiro contato, ela se espanta quando se depara com pessoa como a gente, imagino, imagino que aconteça com você Marcos, que como a gente não está ainda, 100% nessa de ficar nessa neura, nessa corrida, nessa competição, nessa coisa de querer se prevalecer sobre o outro, então num primeiro momento, a pessoa se espanta quando começa a conversar comigo... Com pessoas como a gente, que imagino que mais gente seja assim.

MG: Claro que tem!

Nabil: Porque a gente conversa e a gente "conversa", a gente quer "conversar realmente", a gente olha na pessoa e olha de verdade. Então, imagino, só pelo olhar já existe...

MG: Isso!

Nabil: Já existe um choque.

NJ: Há uma presença. Esse estado de presença, diante da conversa, muitas vezes acaba até inibindo o outro, e não é o interesse querer inibir o outro. Ao contrário, você quer realmente ouvir.

Nabil: Relaxar! Você quer deixar a coisa descontraída!... Pra deixar, então, aproveitando o gancho, pra deixar descontraído, é que eu não entro em, deixo a pessoa falar, não é, ás vezes eu saio até de "burro", fico até meio "chato", não é, porque eu saio por baixo, eu prefiro, não é nem questão de preferência, porque, já não existe mais isso, não é... A pessoa quer conversar, quer botar banca, quer fazer o que for, deixa ela!

(...) Risos.

NJ: Isso é muito infantil, tudo isso! Essa necessidade de prevalecer nas conversas, de ter a última palavra, de ser o sabedor, não é, meu... Sabe tudo! Pô, cara!... Quando eu olho para esse comportamento antigo, não no outro, em mim mesmo, eu dou risada, porque é muito ridículo!... E realmente, cara, isso acontece!... Ou eles ficam inibidos ou acabam tirando você de bobo. Cara, acabam tirando você de bobo e o engraçado é ver isso também nas relações comerciais, cara!... É! Se você não fala muito, eles já tiram você de bobo.

(...) Risos.

Nabil: Principalmente na relação comercial que você tem que ir lá e mostrar que sabe!

(...) Risos.

Nabil: Relação comercial é a pior que existe!... Bate na madeira!

MG: Exatamente! Isso é ego puro!

NJ: Exatamente! Não há encontro!

MG: isso é ego puro! Isso é ego puro, entendeu? Isso é puro ego! Isso, o ego é exatamente isso: é essa expressão, essa expressão de arrogância, de prepotência, de isolacionismo, de domínio, de controle, de estado de pompa...

NJ: Marcos é impressionante constatar hoje, é impressionante constatar, como que as pessoas não conseguem falar assim: "Olha, isso eu não sei!"... "Eu não tenho conhecimento disso!"... Todo mundo sabe tudo, cara! Ninguém consegue virar e falar assim: "Olha, você vai me desculpar mas isso eu não tenho conhecimento, não posso lhe ajudar nesse assunto!"... Cara, eu fico olhando, todo mundo sabe tudo, cara, tem resposta pra tudo!

MG: Exatamente! Não só sabe, como sabe mais que você!

NJ: Pô, cara! É um barato ficar vendo isso, cara!

MG: Não só sabe, como sabe mais que você! De outra maneira, ele sai perdendo, entendeu Liban?... O cara sabe mais que você!

NJ: Isso é mais interessante que as piadinhas do Faustão no domingo, cara! As verdadeiras piadinhas do Faustão é isso, cara! Você fica assistindo "as pegadinhas do intelecto", da mente, sabe?... E o engraçado,  é que é assim, realmente outro dia você falou num vídeo teu, que o corpo, ele sofre toda a alteração do que passa na mente, e é verdade! É só você prestar atenção como o corpo da pessoa se transforma na hora que ela está falando com esse ar de autoridade... Até o corpo infla!

MG: Infla! Ela fica contraída, ela infla, a ponta do dedo treme, a sobrancelha agita demais, entendeu?... Vira-se de lado, é muito louco, é isso ai! Entendeu?

Nabil: O Marcos, eu não sei se você se lembra da fala de segunda-feira, mas foi u8ma fala em que eu percebi que você estava emocionado, em alguns momentos da sua fala, você fica emocionado, não fica?

MG: Fico!

Nabil: Ouviu? Deu para ouvir direito ai, chegou?... O Microfone está aonde?

NJ: Aqui!

Nabil: Ah, está ai direto!

MG: Repete isso ai!

Nabil: Ei vou repetir!... Na segunda-feira, porque na quarta eu não estive, ontem eu não estive, mas na fala de segunda feira eu estive e eu percebi que, eu acho que foi nessa segunda-feira, que você ficou emocionado, porque eu estava acompanhando a sua fala pelo Ustrean, e estava vendo o vídeo, e eu percebo que, não só nessa, que eu acompanhei de segunda-feira, mas em outras, em outras vezes, das vezes em que eu não pude acompanhar via vídeo, porque ainda não existia o vídeo, o Ustrean, mas eu percebi que você ficava profundamente emocionado com lágrimas nos olhos mesmos, como se você fosse tomado por uma....

NJ: Compaixão, um se condoer pela dificuldade do outro.

Nabil: Isso! Uma compaixão, como o Nelson falou aqui, uma compaixão de se condoer pela dificuldade do outro também, é como se você é... O engraçado que nós aqui, pelo menos comigo aconteceu, a gente ficava tocado, eu fico tocado, na mesma hora... A impressão que me dá é que na mesma hora a gente fica tocado e se emociona junto! Mas é diferente daquela emoção de novela, não, é emoção de filme, de novela...

NJ: Não é de mente... É de Ser para Ser.

Nabil: É uma coisa de integração! Você lá no Rio de Janeiro e a gente aqui, e você realmente tomando partido, não, mas tomando unidade, melhor do que partido, tomando unidade...

NJ: Esse tipo de fala não tem tempo e espaço, é por isso que há essa integração, não tem tempo e espaço nessa fala!

Nabil: E exatamente nesse momento... Está dando pra ouvir direito ai, Marcos?

MG: Estou, estou ouvindo! Pode continuar!

Nabil: Sim! Exatamente, com essa constatação que a compaixão está se dando nesse momento, parece que acontece um esvaziamento nesse instante, assim como um passe de mágica... As preocupações, as angústias, tudo vai embora!

MG: Sei como é que é!

Nabil: Está entendendo como é que é? É um passe de mágica!

MG: Estou, estou entendendo!

Nabil: Para mim, isso é, pra mim isso é alteração, é como altera esse estado de presença, é um milagre operando! Que a gente tem muitas coisas já criadas a respeito de milagres, pensa que tem um... Parece que tem uma série de procedimentos a serem executados para que o milagre seja feito...

MG: É, estou ouvindo!

Nabil: Leva um tempo até chegar o áudio ai?

MG: Não, estou ouvindo, estou ouvindo!

Nabil: Não, mas você ia falar alguma coisa, pode falar ai, "mete bronca ai"...

MG: Não, é porque o que a gente não tem, viu Liban e Nelson, é...

NJ: O Marcos, o Marcos...

MG: Oi, fala!

NJ: escuta essa fala do Liban, vê como o intelecto está viciado nisso, ele virou para você e disse: "Mete bronca"... "Mete bronca!"....

(...) Risos.

NJ: A gente tem as frases mas não presta atenção no que é que elas apontam... "Mete bronca ai"...

MG: Está certo! Então, deixa eu meter bronca!... Nós não temos, o Liban, nós não temos uma idéia, nós não temos uma idéia do que é o nosso estado natural, entendeu? O estado natural é um estado de muita beleza, de muita naturalidade, basta dizer assim. A gente tem aquela concepção mental, entendeu, inclusive do estado natural. O estado natural é um estado em que você é um cara humano, entendeu, humano no sentido pleno da palavra. Entendeu? Você tem sentimentos, você tem emoções, você tem, só que tudo isso, o intelecto, tudo isso hoje, fica a serviço dessa Presença Real de sua natureza... Não está a serviço dessa mente em desordem, confusa, desorientada, dessa mente focada nessa exclusividade de uma identidade que ela mesma criou, que não existe, que é esse "eu", então... O estado natural é um estado simples, cara, onde há emoções, onde há sentimentos, onde há espaço para tudo, só que tudo a serviço dessa presença real. Então, você vive um estado de amor, de liberdade, de felicidade. Então eu fico vendo o nome do blog lá "Felicidade and Liberdade", retrata perfeitamente esse estado natural, porque é exatamente isso: é felicidade mesmo! Entendeu?  Não tem nada a ver com sensações, com realizações externas, com o ter ou não ter qualquer coisa, entendeu? É um estado de ser, é um estado no qual você acorda e vai dormir com ele de novo, entendeu? E passa o seu dia sem estresse, sem tentar buscar nada, ou prevalecer sobre alguém ou algo, não existe nada disso! Entendeu? É simplesmente ser e deixar a vida fluir! Entendeu? E se há a oportunidade, como a Graça sempre lhe oferece, de você compartilhar isso, porque isso também não é seu!






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Escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU! JUNTE-SE À NÓS!