Este blog não foi criado para quem já fechou as persianas de sua mente e cuidadosamente as fixou para que nenhum filete de luz de novas idéias penetre e perturbe sua sonolenta e estagnante zona de conforto. Este blog é para os poucos que querem entrar na terra firme da experiência direta por não verem outro caminho mais seguro a tomar.

02 dezembro 2010

A Boca do Lobo

Passeata


A Boca do Lobo
Sérgio Godinho
Composição: Sérgio Godinho

Andam por aí os restos do passado
Andam por aí os testos
Dos restos mortais dos tachos
De comida amarga
Que os que ainda vivem à larga
Nos querem fazer engolir
É a boca do lobo
A morder a nuca do povo
A boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda aí o funeral dos parasitas
Anda aí o carnaval
Anda aí como aliás já se previa a cia
Quem é que não desconfia?
Quem é que se quer meter
Na boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda, a gente vai começar
A gente já começou
A gente vai acabar
Aquilo que começou
A gente vai começar
Anda o camponês a puxar a carroça
Anda o operário a mourejar
Anda o grande capital e os latifundiários
A arranjar processos vários
De nos continuar a meter
Na boca do lobo
A morder a nuca do povo
O boca do lobo
A morder a nuca do povo
Andam por aí os restos do passado
Andam por aí os testos
Dos restos mortais dos tachos
De comida amarga
Que os que ainda vivem à larga
Nos querem fazer engolir
É a boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda a gente vai começar
A gente já começou
A gente vai acabar
A gente vai acabar
Com a boca do lobo
A morder a nuca do povo
A boca do lobo
A morder a nuca do povo

Que força é essa amigo?

O melhor amigo dos cães

Vi-te trabalhar o dia inteiro
construir as cidades para os outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força por pouco dinheiro

Que força é essa que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer?
que força é essa amigo
que te põe de bem com os outros
e de mal contigo?

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
não me digas que não me compreendes

poema/cantiga de Sérgio Godinho

Pequenos deuses caseiros

Festa Junina

Pequenos Deuses Caseiros
Manuel Freire
Composição: Sidónio Muralha

Pequenos deuses caseiros
que brincais aos temporais,
passam-se os dias, semanas,
os meses e os anos
e vós jogais, jogais
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.
o jogo dos tiranos.

Pequenos deuses caseiros
cantai cantigas macias
tomai vossa morfina,
perdulai vossos dinheiros
derramai a vossa raiva
gozai vossas tiranias,
pequenos deuses caseiros.
pequenos deuses caseiros.

Erguei vossos castelos
elegei vossos senhores
espancai vossos criados,
violai vossas criadas,
e bebei,
o vinho dos traidores
servido em taças roubadas
servido em taças roubadas

Dormi em colchões de pena,
dançai dias inteiros,
comprai os que se vendem,
alteai vossas janelas,
e trancai as vossas portas,
pequenos deuses caseiros,
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.
e reforçai, reforçai as sentinelas.

Pedra Filosofal

Extrema


Pedra Filosofal
Manuel Freire
Composição: António Gedeão

Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

O que é Deus?


Palhaço,  por NJRO.

Ser alegre é ser religioso, ser triste é ser irreligioso. Por isso, os assim chamados santos, a meu ver, não são santos coisa nenhuma. Eles parecem tão tristes, tão chatos, tão mortos, como podem experimentar Deus?

Se a experiência de Deus traz tamanha tristeza, então ela não vale a pena. Se a experiência de Deus deixa as pessoas chatas, com cara feia, é melhor evitar Deus. Se por acaso você o vir, fuja.

Essa não é minha visão de Deus. Deve ser o diabo disfarçado de Deus diante desses santos, ele deve tê-los enganado.

Deus só pode significar celebração, festividade. Deus, para mim, nada mais é que uma dimensão festiva. Por isso, seja feliz e deixe que a felicidade seja sua oração.

Falamansa

Se um dia alguém mandou
Ser o que sou e o que gostar
Não sei quem sou e vou mudar
Pra ser aquilo que eu sempre quis
E se acaso você diz
Que sonha um dia em ser feliz
Vê se fala sério
Pra que chorar sua magoa?
Se afogando em agonia
Contra tempestade em copo d'água
Dance o xote da alegria ha he he
Um dê run dê run dê

Delirante Panaceia


Luz, por NJRO.

O Eu é uma ideia
E Deus é outra.
Descartada a panaceia
Fica-se com o que É.

Normose


Normose,  por NJRO.

A moderna sociedade industrial é uma religião fanática. Estamos derrubando, envenenando e destruindo todos os sistemas vivos do planeta. Estamos assumindo dívidas que nossos filhos não poderão pagar... agimos como se fôssemos a última geração no planeta. Sem uma mudança radical no coração, na mente, na visão, a Terra se extinguirá como Vênus, calcinada e morta.

Autor: José Antonio Lutzenberger, citado no Sunday Times

01 dezembro 2010

Triste Realidade


Nos morros, pelo medo,
Trezentos ou quatrocentos
Dominam a um milhão.
No mundo, pela mídia,
Três ou quatro
Dominam a sete bilhões.
Quem está por cima está calçado
Não anda de pé no chão.

As raízes da mediocridade

Junção dos tempos 2
É sempre difícil manter-me simples e claro. O mundo adora o sucesso, quanto maior, melhor; quanto maior a audiência, maior o orador; os edifícios colossais, os carros, os aviões, e as pessoas. A simplicidade se perdeu. As pessoas de sucesso não são as que estão construindo um mundo novo. Ser um revolucionário real requer uma mudança completa de coração e mente, e tão poucos querem se libertar. A pessoa corta as raízes superficiais; mas para cortar as profundas raízes que alimentam a mediocridade, o sucesso, é preciso algo mais que palavras, métodos, compulsões. Parece que esses revolucionários são poucos, mas eles são os construtores reais - o resto trabalha em vão.

Autor: Krishnamurti
Foto: Reflexos por Nelson Jonas
Simplicidade
Pato Fu
Composição: John

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia
Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso
Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia

Tratamento para Ansiedade

Olhares
Quando você se sente ansioso, dominado pela ansiedade, que se deve fazer? O que você geralmente faz quando a ansiedade se faz presente? Você tenta resolvê-la. Você tenta alternativas e você fica cada vez mais envolvido nisso. Você irá criar uma confusão ainda maior porque ansiedade não pode ser dissolvida através do pensar.

Ela não pode ser dissolvida pelo pensar porque o próprio pensar é um tipo de ansiedade.

Esta técnica diz para não fazer nada com a ansiedade. Basta ficar alerta!

Vou lhe contar uma antiga anedota sobre Bokuju, outro mestre Zen. Ele vivia sozinho numa caverna, mas durante o dia, ou mesmo à noite, ele às vezes gritava, “Bokuju” – seu próprio nome, e então ele diria, “Sim, estou aqui”. E ninguém mais estava lá.

Então seus discípulos costumavam perguntar a ele, “Porque você está chamando ‘Bokuju’, seu próprio nome, e então dizendo, ‘Sim senhor, estou aqui’?”

Ele disse, “Sempre quando começo a pensar, tenho que me lembrar de ficar alerta, e assim chamo meu próprio nome, ‘Bokuju’. Na hora que chamo ‘Bokuju’ e digo, ‘Sim senhor, estou aqui’, o pensar, a ansiedade desaparece”.

Então, nos seus últimos dias, por dois ou três anos, ele nunca mais chamou “Bokuju”, seu nome, e nunca teve que responder, “Sim senhor, estou aqui”.

Os discípulos perguntaram, “Mestre, agora você não faz mais isso”.

Então ele disse, “Mas agora Bokuju está sempre presente. Ele está sempre presente, e não há necessidade. Antes eu costumava perdê-lo. Às vezes a ansiedade me tomava, me obscurecia completamente, e Bokuju não estava lá. Então eu tinha que lembrar ‘Bokuju’, e a ansiedade desaparecia...”

Tente seu nome. Quando você sentir uma profunda ansiedade, apenas chame seu nome – não “Bokuju” ou outro nome qualquer, mas seu nome – e então responda a isso, “Sim senhor, estou aqui”, e sinta a diferença.

A ansiedade não estará mais presente. Ao menos por um momento você terá um vislumbre além das nuvens, e o vislumbre pode ser aprofundado. Uma vez que você saiba que se você ficar alerta a ansiedade não está mais lá, ela desaparece; você chegou a um profundo conhecimento de seu próprio eu e do funcionamento de seu mecanismo interior.

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Escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU! JUNTE-SE À NÓS!