Este blog não foi criado para quem já fechou as persianas de sua mente e cuidadosamente as fixou para que nenhum filete de luz de novas idéias penetre e perturbe sua sonolenta e estagnante zona de conforto. Este blog é para os poucos que querem entrar na terra firme da experiência direta por não verem outro caminho mais seguro a tomar.

14 abril 2010

Death Letter


O medo da morte não é o medo da morte, é o medo de não se sentir realizado. Você vai morrer e descobrir que não experimentou nada, ao longo da vida - nenhuma maturidade, nenhum crescimento, nenhum desabrochar. Você chegou de mãos vazias e  está partindo de mãos vazias. Esse é o medo.

Osho

Divina Paranóia

Se Deus é por mim, quem será contra mim?
Fácil!...
Outro mim, com sua idéia pessoal de Deus e de mim.
Ou, na melhor das hipóteses, "mim" mesmo, por alimentar expectativas de segurança nesta absurda idéia coletiva de um Deus protetor.
Talvez até exista um Deus que me proteja do mim no outro.
Mas que Deus poderá me proteger das idéia de mim em mim?
Nisto até Deus dá uma de Pilatos...

A verdade de nossa mentira diária

Nossos ditos "relacionamentos" se mantém "estáveis e amigáveis" quando, ao fingir que nada vemos, nos mantemos sorridentemente calados.

09 abril 2010

Comparação: uma tendência suicida

Ajustamento implica que me comparo com outrem, medindo o que sou ou penso que deveria ser, em comparação com o herói, o santo, etc. Onde há ajustamento, há necessariamente comparação. Descubra se você é capaz de viver sem comparação, que dizer, sem ajustamento. Desde a infância, somos condicionados para comparar – “Seja como seu irmão, como sua tia-avó”, “Seja igual ao santo”, “Siga Mao”. Na educação, comparamos: nas escolas damos notas ao alunos e os submetemos a exames. Não sabemos o que significa viver sem comparar e sem competir e, portanto, não agressivamente, não violentamente. Comparar-se com outro é uma forma de agressão e uma forma de violência. Violência não é só matar ou espancar alguém; é também espírito comparativo: “Preciso ser igual a fulano”, ou “Preciso aperfeiçoar-me”. O aperfeiçoamento próprio é a verdadeira antítese da liberdade e do aprender. Descubra por si mesmo um maneira de viver sem comparação, e verá acontecer uma coisa maravilhosa. Se realmente se tornar vigilante, sem nenhuma escolha, verá o que significa viver sem comparação, e nunca mais pronunciará as palavras “Eu serei”.
Somos escravos do verbo “ser”, que implica: “Serei no futuro uma pessoa importante.” A comparação e o ajustamento andam sempre juntos; nada criam senão repressão, conflito, interminável sofrer. Importa, pois, descobrir uma maneira de viver em cada dia, sem nenhuma comparação. Faça-o e verá como isso é maravilhoso, como lhe liberta de tantas das suas cargas. Desse percebimento nasce uma mente sobremodo sensível e, portanto, disciplinada – que está constantemente aprendendo, não o que deseja aprender ou o que lhe dá gosto e satisfação aprender: aprendendo. Tornar-se consciente do condicionamento interior causado pela autoridade, pelo ajustamento a um padrão, pela tradição e a propaganda, pelos ditos de outras pessoas, e pela experiência acumulada, sua própria e da raça e da família. Tudo isso se tornou autoridade. Onde há autoridade, a mente não será jamais livre para descobrir o que cumpre descobrir: uma realidade eterna, inteiramente nova.


Krishnamurti

08 abril 2010

Escravos do tempo II


 O homem moderno vive com tanta pressa que não pode se sentar, não pode descansar. Tornou-se incapaz de descansar.
E, quando você é incapaz de descansar, é incapaz de fazer tudo que é valioso. E a realidade é que não precisamos nos preocupar tanto com coisa alguma. A vida é eterna. Sempre existimos e sempre existiremos.
Somos imortais. O corpo vai mudar, a mente vai mudar, mas não somos mente nem corpo.
É apenas na meditação que o indivíduo descobre o simples fato de que não somos corpo nem mente: somos percepção, consciência. Somos testemunhas de todo o jogo.
Quando você testemunha, prova o néctar. Esse é o néctar que os alquimistas buscam.
Osho

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Foto e Tratamento digital: Nelson Jonas

Escravos do tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.



Mario Quintana

07 abril 2010

Telemarketing Robótico

A cada dia que passa assusta-me mais e mais a crescente insensibilidade e falta de bom senso por parte dos dirigentes das chamadas grandes corporações e empresas de telemarketing. Estava limpando meu estúdio quando fui interrompido pelo toque do telefone. Do outro lado, uma robótica voz feminina, tendo como fundo, o som de uma enorme e frenética sala de operadores de telemarketing:
- Bom dia, aqui quem fala é Patrícia Vieira do grupo Jornalístico X. Por gentileza, gostaria de falar com o Sr. Nelzio Ramos de Oliveira sobre a nossa super promoção de assinatura para este mês.
- O Sr. Nelzio faleceu em dezembro último.

Antes mesmo de eu poder inspirar por duas vezes para oxigenar o cérebro, sistematicamente questionou-me:  
- No lugar dele, quem responde pela casa?
Perplexo com sua falta de bom senso, respondi com enfadado tom:
- Senhorita, a pessoa responsável não se encontra no momento.
Ela, de pronto questionou:
- Poderia me informar o nome dela e qual o melhor horário para encontrá-la?
- Senhorita, não temos o menor interesse nesse tipo de invasão telefônica, muito menos no vosso produto. Tenha um bom dia!
E ela, com os sentimentos de um robô, muito bem orientanda, para não perder a oportunidade de tentar marcar o nome da empresa em minha mente finalizou:
- Em nome do grupo Jornalístico X, agradeço pela atenção dispensada e desejo-lhe um bom dia.

E assim caminha nossa desumana humanidade.

05 abril 2010

CLT


Empregador
Empregado
Emprego
Empresa
Preso

25 março 2010

O homem e seus rótulos

Outro dia, recebi de um conhecido, um e-mail contendo os seguintes dizeres:


Caro Nelson, 
Você sabe mais do que ninguém que há muitos anos venho reclamando de pensamentos que me ocorrem compulsivamente em relação a morte (que não vale a pena viver, se faço determinada tarefa legal no meu cotidiano, lá  vem o pensamento e diz: mas você vai morrer um dia, etc...) e isto me deixa muito "preso" dentro de mim mesmo.
Sei muito bem que o problema não é a morte em si, mas justamente o pensamento compulsivo que me atrapalha, pois eu poderia ter qualquer outro pensamento de outra natureza e com certeza também me incomodaria.
Fazendo algumas pesquisas no Google (parece até engraçado!!!), me identifiquei com o seguinte diagnóstico: TOC - transtorno obsessivo compulsivo, que trocando em miúdos, significa a repetição de gestos, rituais (ex: verificar várias vezes se a porta está trancada, se desliguei o fogão e assim por diante e nestes exemplos me identifiquei também, além dos pensamentos compulsivos), atividades e pensamentos que a pessoa sabe que não fazem sentido,mas que não consegue evitar.
Nestes casos, eu li que é sugerido primeiramente procurar um clínico geral e que o mesmo me encaminharia para um psiquiatra e o tratamento é na base dos velhos anti-depressivos e psicoterapia. Gostaria de uma opinião sua!
Obrigado pela atenção
Abraços.
...........................


Então respondi:

Bom dia Amigo!
Como o ser humano (que nada tem de humano) adora um rótulo para se fixar...
Como adora uma muletinha - devidamente receitada por um "doutor" - para se manter como um ser dependente e emocionalmente empacado...
Como é superficial na pesquisa de seus próprios conflitos cíclicos, delegando a outros a responsabilidade - sempre bem remunerada - a observação de "parte" de sua história...
Já conversamos sobre isso e já lhe indiquei mais que uma vez a literatura de Krishnamurti, que inclusive tem um livro que fala somente sobre a questão da morte. No entanto, a julgar pelo seu questionamento enviado no e-mail, ficou claro que você não foi sério o suficiente nesse estudo de "SI MESMO".
Quer saber? Vá onde for, procure o que e a quem for, enquanto você não sentar consigo mesmo e com seu conflito, enquanto não observá-lo com todo conteúdo do seu ser, ele permanecerá vindo, ciclicamente, afim de cumprir seu papel de ser "ponte de transcendência e maturidade".
O problema não está fora, assim como a solução do mesmo. Ouse ser o doente e o clinico, mas, com SERIEDADE, pois bafo de boca não cozinha ovo.
ATITUDE É A PALAVRA. Deixe de procurar colo, seja de quem for, e pegue a si mesmo no colo. Com certeza, se for sério, compreenderá esses seus medos, que estão sempre no futuro lhe roubando a energia do agora, e então, conseguirá viver suas escolhas com toda intensidade do ser que você é.
Com amor, carinho e um bom chute nos fundilhos,
seu amigo

Nelson 

04 março 2010

Uma saudade!

Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
- Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
- Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando- nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas – e dizia:
- Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.
Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa..
A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
- Vamos marcar uma saída!... - ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
*Texto recebido pela NET sem a citação do autor

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Escolho meus amigos pela pupila

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU! JUNTE-SE À NÓS!